Caminha descalço no gume da navalha. Nos pés dormentes já não sente dor! Os passos são seguros, definitivos, dados com certeza… a certeza de que o Homem a quem tudo se lhe tira, nada mais tem a perder!
O rosto enrugado, cinzelado pela mão do tempo perdeu expressão. É um rosto anónimo! Os olhos onde outrora houve luz emudeceram… talvez já ninguém os queira ouvir!
Os cabelos brancos contam histórias, umas alegres, outras tristes. Guardam lágrimas ainda por chorar e que aí ficarão para sempre.
A vida não lhe foi meiga, mas nem por isso desistiu… talvez erro seu, pago com longas horas de silêncio alheado do mundo que parecia enjeitá-lo.
A velhice chegou antes do tempo ou o tempo passou sem que se lembre dele!
Já nada teme e segue compassado, lentamente, arrastando o corpo vergado e as mão pendentes… o caminho é seu embora não o tenha escolhido, mas não sabe voltar atrás!
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