sábado, 12 de fevereiro de 2011

bleeding...

"Seguro o punhal junto ao peito. Essa arma letal a que chamam AMOR, mas os golpes serão teus!

Sangrarei amor até que as veias sequem. Morrerei olhando-te nos olhos e sorrindo… sorrindo para ti, por ti… para que não notes a minha morte, para que não esqueças o meu rosto, para que recordes como era feliz ao teu lado!

Seguirás em frente, deixando-me sucumbindo às tuas mãos… meu querido assassino!

O Tempo esquecer-se-á de nós… eu não terei existido e tu serás uma doce recordação naquele lugar secreto onde se guarda o que é eterno! Mas que saibas que foste amado... sim foste, tanto quanto o é possível ser-se, mesmo que em silêncio...

Que o meu fantasma não te atrapalhe os passos… cuidarei para que não o faça!"

Alter ego

Caminha descalço no gume da navalha. Nos pés dormentes já não sente dor! Os passos são seguros, definitivos, dados com certeza… a certeza de que o Homem a quem tudo se lhe tira, nada mais tem a perder!

O rosto enrugado, cinzelado pela mão do tempo perdeu expressão. É um rosto anónimo! Os olhos onde outrora houve luz emudeceram… talvez já ninguém os queira ouvir!

Os cabelos brancos contam histórias, umas alegres, outras tristes. Guardam lágrimas ainda por chorar e que aí ficarão para sempre.

A vida não lhe foi meiga, mas nem por isso desistiu… talvez erro seu, pago com longas horas de silêncio alheado do mundo que parecia enjeitá-lo.

A velhice chegou antes do tempo ou o tempo passou sem que se lembre dele!

Já nada teme e segue compassado, lentamente, arrastando o corpo vergado e as mão pendentes… o caminho é seu embora não o tenha escolhido, mas não sabe voltar atrás!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

waiting...

"Sento-me na noite em solidão, o mesmo canto onde sempre espero, procurando respostas às questões que quero fazer. As estrelas escondem-se por detrás de nuvens negras, aumentando o silêncio dentro de mim. O vazio preenche-me de solidão.

À minha frente desfilam caminhos enegrecidos que parecem não sair do sítio e a vontade de os percorrer aninha-se no medo… medo de partir… medo de não chegar… medo de não voltar…

Aqui e ali a lua lança feixes de clareza, que se escondem à aproximação.

Dúvidas… dúvidas puxam dúvidas… incertezas…

Mantenho-me no sítio, imóvel, aguardando… aguardarei mais uma noite…"

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Maybe today... maybe tomorrow...

Chega sempre o dia em que a Terra treme, os Céus desabam, o dia rasga-se sob o peso da noite e tudo termina…
Chega sempre o dia e que arriscamos a um salto mortal sem rede e o trapézio nos falha…
Chega sempre o dia em que a balança pende pa um lado… e nós estamos no prato que sobe…
Chega sempre o dia em que voz do abismo nos chama +alto e sedutora e nos largamos na sua direcção…
Chega sempre o dia em que o cansaço vence a força de vontade (ainda que esta seja de ferro)…
Chega sempre o dia em que nos abandonamos; não queremos que nos achem, nem sequer que nos procurem… queremos apenas ficar ali algures e em lado nenhum…
Chega sempre o dia em que perdemos a guerra… não importa quantas batalhas travámos, tampouco quantas vitórias conquistámos… a derradeira não será nossa…
Chega sempre o dia em que desistir é um acto de coragem, mais valente do que qualquer outro… e tudo termina… ficará apenas a cinza do esquecimento…

today's mood

Hoje o Sol brilha radiante, vaidoso em todo o seu esplendor. Fecho os olhos sob o seu aconchego.

Finjo Felicidade… isso! Vou fingir!...

Dizem que se acreditarmos muito numa mentira, ela torna-se verdade… Pobre tolo…

Sei que em breve a noite chegará escura, húmida, gélida.

Não me interessa! Não quero saber!...

Por agora, vou só aproveitar o que tenho.

a Dream... a foolish one...

"Tocas-me levemente no rosto, o polegar desliza pela minha boca arrancando-me um arrepio sorrido. Aproximas-te lentamente com o olhar fixo e sussurras “Amo-te!”.

Sorriu de uma pureza quase infantil… os olhos flamejam paixão… respondo-te “Amo-te, Amo-te muito agora e sempre!”…

Abraças-me calorosamente. Os nossos troncos desnudados ficam colados uníssonos como um só corpo. A respiração acelera, as faces enrubescem, os corações disparam… o tempo pára sobre si, suspenso no olhar eterno de segundos. Não há palavras, não são precisas… o silêncio grita o que não dizemos… nós sabemos…

Aproximas-te num movimento contínuo, lento desejado. Os meus lábios anseiam os teus…

Estás perto, sinto a tua respiração, respiro o teu ar… estás tão perto que poderias respirar por mim…

…E o sono desperta abrupto!

Abro os olhos e já não estás lá… mas o teu cheiro permanece no ar tão real quanto pode. O meu corpo ainda te recorda… Existimos, amámos… vivemos… num tempo que não foi nosso!"

Giving up

Um coração triste larga-se daquele peito onde durante tanto tempo se aqueceu! Desiste de se agarrar à aquela fina linha por onde escorregava em desespero.

Cai! Como uma semente jogada à Terra…

Mas esta semente não germinará, não se criará uma planta, tampouco uma erva daninha… cai estéril, seca, morta… o chão onde toca torna-se coriáceo e não mais será semeado!

No seu lugar ficará o vazio, apenas o vazio, frio, soturno, escuro… um buraco revestido a dor e cicatriz….